Monday, 11 July 2016

Oh captain my captain


Quer se goste ou não de Ronaldo, ele é o que se pode chamar de um "self made man".
Treina mais do que os outros, quer mais do que os outros e tenta consecutivamente bater os seus próprios recordes.

Os únicos talentos que verdadeiramente nasceram com ele é a sua força e auto-confiança, o resto veio por arrasto.

Neste Euro, tirando o jogo com a Hungria, pode-se dizer que não foi o jogador desequilibrador que precisávamos, mas foi sim, o capitão que soube "guiar as tropas" com sucesso até à final, tal como o fez quando foi buscar Moutinho, para que este marcasse o penalti contra a Croácia.

Ontem, depois de uma brutal, e quiçá propositada, entrada sobre ele as lágrimas começaram-lhe a correr no rosto, porque melhor do que ninguém ele sabia que o momento pelo qual tanto esperara depois da final do Euro de 2004, tinha acabado ali. Não ia poder continuar em campo.

No entanto não desistiu de imediato e ainda tentou, mas rapidamente percebeu que não conseguia continuar.
Não se retirou para o balneário ou tão pouco foi tomar banho, ficou ali no banco, onde não parou um minuto, apoiou, vibrou, ajudou, deu instruções e tudo o mais.

O momento da sua saída pode até ter sido a chave do sucesso Português, pois os jogadores que ficaram em campo, uniram-se e lutaram mais do que nunca para honrar as nossas cores, mas sobretudo para poder proporcionar ao seu capitão o momento pelo o qual tanto ansiava, o momento de levantar a taça e conseguiram.

Há homens (quais ratos) que desistem de lutar à mínima contrariedade e se resignam ao insucesso e há os outros, aqueles que lutam ou se voltam a levantar quando os derrubam, na busca do sucesso e da sua honra.

#portugal #euro2016 #campeoescarago


Sunday, 10 April 2016

Eu Pai, me confesso adepto do meu filho

Antes de nascer, já o sangue azul e branco me corria nas veias.
Descendente de familias totalmente Portistas e tendo um dos meus avós sido seccionista da equipa de hóquei em campo do Futebol Clube do Porto, seria practicamente impossível não ser Portista, até porque o Porto represanta mais do que um clube, representa uma cidade e uma região que sempre foi preterida em benificio do centralismo de uma capital que nada faz pelo resto do país e onde tudo se concentra (mas isso já é outra história).

Já há vários anos que tenho lugar anual e com isso presenças assiduas no velhinho estádio da Antas e no novo estádio do Dragão, onde sempre sofri e vibrei com os jogos do meu Porto, mas um vibrar e sofrer que muitas vezes parece mais o que se costuma chamar de "doente" pelo clube do coração.

E assim foi durante 38 anos, até que há 2 anos o meu filho mais velho começou a jogar futebol nas escolas da Dragon Force Valadares.
A paixão que ele sempre mostrou ter ao brincar com bolas e jogar futebol, rápidamente veio ao de cima e num curtissimo espaço de tempo foi convidado a fazer parte da equipa de competição.

O Amor que temos por um filho é incomparável a tudo o mais que possa existir na nossa vida, mas nestes 2 últimos anos percebi que a minha paixão pelo Porto não era nada quando comparada com a paixão de ver o meu filho feliz e realizado ao jogar futebol e o apoio incondicional que sempre teve e tem da minha parte.

Não, não espero nem tenho pretenções que o Gonçalo venha a fazer do futebol profissão, até porque ele sabe que para mim o importante são os estudos, mas é um facto que sinto uma alegria imensa quando o vejo jogar, isto porque o conheço e sei o quão feliz ele fica ao fazê-lo e a forma como o faz e partilha com os seus colegas/amigos de equipa.

Quem me conhece sabe que sou muito racional e ponderado em tudo o que faço na minha vida, menos no que toca aos meus filhos e a algumas injustiças do meu dia-a-dia, aí sim, possivelmente perco a calma e a racionalidade, trocando-a por uma frontalidade e por vezes um pouco de agressividade, não me conseguindo conter em algumas situações.

A equipa onde o Gonçalo joga, é uma equipa na verdadeira ascenção da palavra, onde não existem individualidades, mas sim um colectivo que se apoia e onde todos lutam por um objectivo, que é o de fazer o melhor possivel num escalão onde jogam contra equipas com jogadores um ano mais velhos  do que eles.

É de facto extraordinário ver como a equipa se une e luta por um objectivo, o de tentar ganhar a equipas com jogadores maiores e mais velhos de que eles, sendo que nada dissso lhes é exigido, apenas é lhes é exigido que aprendam e evoluam.

Ontem foi um desses casos em que realmente não me consegui conter, a equipa entrou confiante, com vontade e raça, com jogadas muito perigosas nas 1ª parte e também alguns sustos, mas desde do inicio que se viu que não estavam só a jogar contra a equipa adversária, mas sim contra a equipa adversária mais 2 árbitros (sim, pq isto de ser Dragon Force tem esse ponto negativo, apanharem constantemente árbitros que não são simpatizantes do Porto ou são mesmo anti-Porto e quem paga são crianças com 12 ou menos anos, por incrivel que isto possa parecer).

A equipa adversária, o Perosinho, estava a fazer um jogo muito duro e com algumas faltas grosseiras e perigosas para a própria integridade fisica de alguns dos colegas do Gonçalo, mas que os árbitros estavam deliberadamente a permitir, não assinalando essas faltas ou não advertindo devidamente os jogadores adversários.

Nós os pais, iamos reclamando com o árbitro que se encontrava mais próximo do local onde estávamos, mas de uma forma nada fora do normal, sendo que este respondia-nos com um sorriso cinico e continuava a sua cruzada inanarrável contra a equipa do Gonçalo.

Até que já na 2ª parte é assinalado um penalti contra a equipa do Gonçalo, penalti esse bem assinalado e em que nenhum do pais reagiu, apenas apoiamos o nosso guarda-redes, para que ele defendesse o penalti.
O apito suou, o adverśario rematou e o Henrique bem se esticou e por um bocadinho não defendeu o penalti, sendo que num acto continuo-o e absolutamente natural, chutou com a sua habitual frustração de ter sofrido um golo a bola para o meio-campo, azar, o árbitro estava no caminho da mesma e apanhou com a bola nas costas, "fulminando" de imediato o Henrique com um olhar nada amigável.

O jogo continou e os nossos pequenotes sempre a esforçarem-se para repôr a justiça no marcador, mas começando a sentir cada vez mais o que os árbitros lhes estavam a fazer, começam a mostrar a sua indignação.
Vasco com o seu habitual abrir de fraços a reclamar das injustiças, Kiko com a seu habitual discurso de "pica miolos" para com os árbitros, começando os árbitros nessa altura a ameaçar as nossas crianças, até que chega a vez do Gonçalo.

O Gonçalo tendo um feitio igual ao meu no que toca a injustiças, ao ver o árbitro assinalar um canto em vez de uma falta dentro da área, que eu confesso não ter descortinado, diz em alto e bom som "se fosse na nossa área marcavas logo penalti, mas como é nesta, não marcas nada", tendo de imediato o árbitro ripostado num tom bastante ameaçador e nada aconselhável num diálogo com uma criança "queres ir tomar banho mais cedo?".

O canto é marcado e a equipa chega ao mais que merecido golo do empate, todos saltam e abraçam-se, os pais obaviamente rejubilam com a alegria dos filhos, aplaudem e eis que um dos árbitros dá ordem de expulsão ao Gonçalo, pela 1 vez nos seus curtos 2 anos de jogador de competição, recebia ordem de expulsão, sem que nos tivessemos apecebido de nada.

Nesse instante, qual pai protector do seu filho, salto da bancada indignado com o que estavam a fazer ao seu filho e grito para o árbitro "tenha vergonha, já não chega o que estão a fazer às nossas crianças, roubando à descarada e ainda expulsam o Gonçalo? O que é que ele fez?", num misto de emoções e indignação entre os vários pais o pai do Vasco tenta acalmar-me e lá me sento resignado com aquela pouca vergonha, não me apercebendo do que realmente se estava a passar no relvado sintético.

O jogo continua e continua o apoio dos pais aos nossos meninos e mesmo já não estando o Gonçalo em campo, não parei de apoiar a equipa, que mais uma vez luta contra os árbitros, e, com pouco menos de 2 minutos para jogar, num lance sobre a linha da área do Perosinho fecham os olhos a uma clara falta sobre o Costinha, que tanto podia ter dado penalti ou no minimo uma falta perigosíssima à entrada da área e acto contínuo, marcam uma falta perigosa contra os nossos meninos, à entrada da nossa área.

A falta é marcada, a bola passa por cima da trave e termina a partida.

O empate tinha um sabor amargo por tudo o que os nossos meninos fizeram, mas mais do que ninguém eles sabiam que tinham sido delibradamente prejudicados, não indo por isso cumprimentar os árbitros como é habitual no fim dos jogos.

Segue-se uma longa conversa entre o Treinador e Director da equipa do Gonçalo com a dupla de arbitragem, equanto a equipa cantava em alto e bom som "roubados, roubados, nós fomos roubados".

Estava preocupado com o Gonçalo, via-o cabisbaixo e tinha a certeza que ele estava por um lado revoltado com o que os árbitros fizeram, mas também estaria triste por ter sido expulso e não ter podido ajudar a sua equipa até ao fim do jogo.

Mas a maior supresa estava para vir. Depois dos meninos terem recolhido ao balneário um dos pais dizia-me que não percebeu como é que eu me tinha segurado quando o árbitro me insultou e só aí em conversa com os pais é que me disseram que enquanto eu me indignava com o árbitro que estava a expulsar o Gonçalo e o Pai do Vasco me tentava acalmar, o outro árbitro me dirigiu insultos bastante graves com todas as crianças, pais da nossa equipa e da equipa adversária a ouvirem.

É isto que temos hoje em dia, árbitros que não sabem lidar com crianças e que para além de prejudicam propositadamente e de uma forma escandalosa as equipas que estão ligadas ao universo Futebol Clube do Porto, não estão concentrados no jogo que estão a apitar, mas sim em ofender os pais que assistem ao jogo.